O barulho dos pratos a baterem uns nos outros. O cheiro da cerveja fresca. E, depois, aquele silêncio estranho nos corredores do serviço. Em Sanford, na Flórida, o restaurante alemão Hollerbach’s acabou de testar uma novidade que muda as regras para a sua equipa (WKMG). Desde há três dias, um robô chamado BellaBot circula entre as paredes. Ele não sorri. Não olha para os clientes. Tem uma única missão: transportar os pedidos da cozinha para o bar (WKMG).

Um trajeto pré-programado, não um garçom a menos

Muitas vezes espera-se que os robôs humanoides venham sentar-se à sua mesa para lhe servir o bife. Aqui, é o contrário. O BellaBot é descrito como um « elevador alimentar horizontal » (WKMG). O restaurante já possui um elevador vertical que liga a cozinha ao bar situado no telhado. Mas faltava o elo horizontal. A cozinha está situada a 150 pés da zona do bar, segundo Theo Hollerbach (WKMG). É uma distância curta para um humano, mas é uma distância que se acumula. As pernas cansam-se. A atenção dispersa-se.

O BellaBot segue um trajeto pré-programado da cozinha para a zona do bar Lodge (WKMG). Ele não improvisa. Não se perde. Não se queixa da fadiga. Ele desliza simplesmente. O proprietário afirma que este robô permite que os garçons e os barman fiquem concentrados nos clientes, em vez de fazerem longos trajetos para o serviço (WKMG). É aí que reside a verdadeira mudança. O garçom deixa de ser um mensageiro. Volta a ser um anfitrião. Pode olhar nos olhos da pessoa à frente, em vez de olhar para os seus pés para evitar derramar um molho no chão.

O barman continua a ser o mestre do serviço

É crucial compreender o que o robô não faz. Ele não entrega o prato diretamente ao cliente. Uma vez chegado ao bar, o barman retira os alimentos dos tabuleiros e entrega-os ao cliente (WKMG). O robô é um intermediário logístico. É o tubo por onde a comida passa. O humano continua a ser o ponto de contacto. O cliente não vê um ecrã frio ou uma máquina que coloca um prato fumegante à sua frente. O calor humano permanece intacto. O robô elimina a fadiga física, não a interação social.

Este sistema funciona como uma linha de montagem invertida. A cozinha produz. O robô transporta. O barman finaliza. Cada elo é preciso. O robô não para para fumar. Não para para conversar com um colega. Ele executa. E é essa execução fria que liberta espaço mental para a equipa humana.

600 dólares por mês, o cálculo do proprietário

O custo desta inovação é surpreendente. O restaurante paga 600 dólares por mês pela utilização do BellaBot (WKMG). É caro? Para um robô, é pouco. Para um restaurante, é uma despesa fixa. Theo Hollerbach, o proprietário, explica que este custo é mais económico do que a contratação de um mensageiro alimentar para as horas de ponta (WKMG). Os funcionários geralmente não vêm trabalhar por apenas duas horas. É preciso pagar um salário mínimo, gerir os horários, as férias. Sempre.

Imagine a sua própria casa. E se tivesse um robô que apenas transportasse as suas compras do estacionamento para a cozinha? Já não seria obrigado a carregar as sacas pesadas. Teria liberdade para cuidar dos seus filhos ou do seu cônjuge. É o mesmo princípio. O robô não vive em sua casa. Não come consigo. Não dorme no seu quarto. Ele executa uma tarefa repetitiva e física que o liberta. Devolve-lhe tempo. Tempo de qualidade. Tempo para respirar.

Três meses para saber se funciona

O teste está em curso. Theo Hollerbach prevê utilizar o robô durante os próximos três meses para avaliar a sua eficácia durante a Oktoberfest e outros eventos (WKMG). É o momento ideal para testar um sistema destes. Oktoberfest, é gente. É pressão. É barulho. É fadiga. Se o BellaBot conseguir manter o ritmo durante estas semanas intensas, então provou o seu valor. Se os garçons estiverem menos exaustos, se os erros de serviço diminuírem, se os clientes apreciarem o serviço mais fluido, então o veredicto será claro.

E se, amanhã, este tipo de robô existisse no seu restaurante favorito? E se, em vez de ver um garçom ofegante a atravessar a sala com um tabuleiro instável, visse um robô silencioso a deslizar para o bar? E se o garçom chegasse depois, fresco, sorridente, pronto para o servir? A tecnologia não substitui o humano. Alivia-o. Devolve-lhe a sua energia. Devolve-lhe o seu sorriso. Talvez seja aí que resida o futuro do serviço. Não na robotização total, mas na divisão do trabalho. A máquina faz o trajeto. O humano faz a ligação. E você, aproveita a refeição. Sem stress. Sem espera. Apenas o prazer da mesa.