Em 28 de julho de 2026, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) adicionou os robôs móveis fabricados no estrangeiro à sua « Covered List ». Eis o que esta decisão faz, e o que não faz.
O que faz: bloquear a homologação FCC dos futuros modelos de fabrico estrangeiro, e portanto a sua chegada às prateleiras nos Estados Unidos. O que não faz: retirar um aparelho do mercado ou das casas. Um aspirador robótico já comprado não deixa de funcionar. E a regra é americana.
O que é que a FCC decidiu, exatamente?
Duas categorias entraram na lista no mesmo dia. De um lado, os aparelhos robóticos avançados de fabrico estrangeiro — robôs móveis, humanoides e quadrúpedes. Do outro, separadamente, os no-breaks (UPS) conectados produzidos no estrangeiro, essas caixas que convertem a corrente elétrica (The Verge, 28 de julho). É tudo: duas linhas adicionadas a um documento administrativo. O resto joga-se na definição adotada.
Porque é que o seu aspirador está dentro e o seu carro fora
A definição não fala de inteligência, nem de um robô que decidisse por conta própria. Resumida a três critérios, e um aparelho deve preencher todos os três:
- ser um aparelho terrestre móvel com mais de 4,4 libras (ou seja, 2 kg), estação de carregamento incluída;
- incorporar um sensor capaz de percecionar o seu ambiente;
- dispor de uma ligação à rede superior a 200 kbit/s num sentido ou noutro.
Ars Technica detalha o que fica de um lado e do outro (28 de julho):
- Dentro: os aspiradores robóticos, os robôs limpadores de piscina, as máquinas de cortar relva autónomas.
- Fora: os comboios, os drones, os veículos subaquáticos, os carros conectados, os robôs fixos e os dispositivos classificados como médicos.
O peso, o sensor e a largura de banda são, portanto, os verdadeiros árbitros. Um aparelho terrestre que se desloca, que vê e que fala com a rede cai dentro, quer seja inteligente ou perfeitamente estúpido. Ou seja, quase tudo o que roda e se liga numa casa.
O meu robô vai parar?
Não. A medida não retira nenhum aparelho do mercado nem das casas. Os modelos já homologados pela FCC continuam a ser vendidos, utilizados e mantidos. Um aspirador robótico já comprado não deixa de funcionar (Wired, 30 de julho). A decisão não fixa nenhuma data de extinção e não põe fim a nenhum suporte.
Em 5 de agosto, quatro fabricantes de aspiradores robóticos declararam-no publicamente: Ecovacs, Eufy, Narwal e Shark. Os seus produtos atualmente vendidos nos Estados Unidos continuam disponíveis, utilizáveis, mantidos e atualizados. Apenas uma das quatro é citada nos seus próprios termos, e é em inglês. A Eufy escreve que « the new rule does not affect the continued availability, use or support of products we currently sell in the United States » (Vacuum Wars, 5 de agosto). Traduzido: a nova regra não afeta nem a manutenção da disponibilidade, nem a utilização, nem o suporte dos produtos que a marca vende hoje nos Estados Unidos. Por outro lado, nenhum dos quatro anuncia qualquer coisa de concreto para os seus futuros modelos americanos: é nos modelos futuros que os fabricantes se mantêm em silêncio, não nas máquinas já vendidas.
Então, o que é que muda realmente?
Uma única coisa, e joga-se antes da loja: a homologação FCC dos futuros modelos de fabrico estrangeiro. Sem homologação, não há chegada às prateleiras nos Estados Unidos. São os modelos futuros que estão visados, não aquele que faz e desfaz debaixo do seu sofá. Nos preços, a decisão não diz nada: trata-se da homologação, não das tarifas.
E a proibição nem é absoluta. Um fabricante pode apresentar um pedido de derrogação, o processo chamado « Conditional Approval », a aprovação sob condições. O detalhe merece uma vista de olhos: o processo não impõe qualquer exigência de melhoria da segurança do próprio produto. O que exige de cada requerente é um plano detalhado para realocar a fabrico para os Estados Unidos. O Departamento de Defesa pode, por seu lado, isentar um robô ou uma classe de robôs (The Verge, 28 de julho).
E os humanoides, nisso tudo?
No mesmo dia, segundo a Tech Times — única fonte a reportá-lo —, a FCC proibiu novas autorizações de equipamento para humanoides chineses nos Estados Unidos, sem revogar os exemplares já homologados. É uma decisão distinta da adição à Covered List, reportada na mesma data.
Um destes humanoides, o Unitree G1, mede cerca de 1,3 metros e 35 quilogramas, com um preço base de cerca de 13 500 dólares americanos, também segundo a Tech Times. Este é o preço do corpo sozinho: o operador adiciona-lhe depois as suas próprias câmaras, as suas pinças e os seus computadores embarcados.
E na Europa?
A regra é americana. Segundo a GB News — única fonte a reportá-lo —, não restringe a compra de aspiradores robóticos na Europa. Interrogado por este meio em 2 de agosto, um porta-voz do governo britânico respondeu em inglês: « We have no plans to introduce a ban on foreign-made robotics at this time. We will continue to monitor security risks. » Em francês: o governo não tem planos de introduzir uma proibição de robôs de fabrico estrangeiro neste momento, e continuará a monitorizar os riscos de segurança.
Quanto aos produtos, o El País publicou em 29 de julho um panorama assinado por Laura Pajuelo. Não é uma investigação de campo, nem uma estatística de equipamento dos agregados familiares, e é também a única fonte a reportá-lo. O jornal cita quatro máquinas:
- o Roomba Max 775 Combo, com uma base que se esvazia e limpa os seus esfregões;
- o Dreame X60 Pro Ultra Complete, apresentado no CES, o salão da eletrónica de Las Vegas: o construtor atribui-lhe a capacidade de transpor limiares e degraus até 10 centímetros graças a um duplo braço robótico, o que não foi verificado;
- a máquina de cortar relva Roborock RockMow S1, que se localiza por GPS — com uma correção chamada RTK, que afina a posição — e por câmara;
- o robô de piscina Aiper Scuba V, dotado do seu próprio motor e do seu próprio sistema de filtragem.
O mesmo jornal não dá qualquer preço. Retém duas limitações: estas máquinas situam-se na gama média-alta, e é preciso contar com um tempo de aprendizagem e ajustes iniciais a fazer por conta própria, apesar da promessa de autonomia.
O que fica a reter
Uma lista americana, uma definição que apanha tudo o que roda no chão, vê e se liga, e zero aparelhos desligados. O que muda: os futuros modelos de fabrico estrangeiro terão de obter a sua homologação para chegar às prateleiras nos Estados Unidos. E a porta de saída prevista pela FCC não pede para melhorar a segurança do produto, mas um plano para fabricar no local. O que não muda: as máquinas já instaladas continuam tranquilamente os seus vai-e-vem.
