A limpeza feita por um robô humanoide já não é um vídeo de salão: é um serviço que se reserva. E tem uma tarifa anunciada: 30 dólares americanos por hora, divulgada publicamente em 28 de julho de 2026 pela Tau Robotics, empresa sediada em San Francisco. Isto só funciona nesta cidade, mediante convite, e acompanha-se de uma contrapartida que o preço não revela: o robô filma continuamente toda a duração da visita, com câmeras na cabeça e nos pulsos, e a empresa guarda as imagens.
Quanto custa, e como se acede?
Eis o que reporta La Razón, a nossa única fonte sobre este ponto. A hora é a unidade mínima, paga integralmente no momento da reserva através da plataforma de pagamento Stripe. O cancelamento é gratuito até 24 horas antes da visita, com reembolso de metade no prazo de 24 horas que precede, e sem qualquer reembolso se ninguém abrir a porta. Outra regra: um adulto deve estar presente durante toda a visita. A Tau não guarda nem chaves nem códigos de acesso e não limpa casas vazias.
O acesso está fechado: apenas mediante convite, para um primeiro círculo de clientes. Inscreve-se numa lista de espera fornecendo o seu endereço de correio eletrónico e o bairro. Recebe-se um código quando uma vaga se liberta perto de casa (India Today).
O robô não está sozinho no comando
Ponto central, e no entanto ausente da tarifa anunciada: estes humanoides não são autónomos. São teleoperados, ou seja, pilotados à distância. Um operador humano e uma inteligência artificial (IA) comandam-nos conjuntamente. Alexander Koch escreve-o ele próprio no dia do anúncio: «cada humanoide é controlado conjuntamente por um operador humano e uma IA». E precisa a ABC7 que a tecnologia atual não permite que uma IA pilote sozinha um humanoide numa casa. Isto não é um detalhe: durante a hora de limpeza, há um humano no circuito.
O que sabe fazer, o que falha?
Alexander Koch situa ele próprio os limites dos seus robôs. O que já funciona:
- passar o aspirador nos pisos de madeira e nos tapetes;
- limpar uma bancada;
- levar o lixo para fora;
- arrumar o que está espalhado.
O que continua difícil: apanhar objetos do chão, limpar por baixo dos móveis, manipular objetos frágeis. O grosso, sim; o delicado, não. Ken Goldberg, professor de engenharia na Universidade da Califórnia em Berkeley, é mais severo: «ainda é demasiado cedo», diz ele, e duvida que estas máquinas façam um trabalho útil numa casa.
Chelsea, Elon e Tony
A Tau propõe três configurações, com nomes próprios. Chelsea é proposta para a cozinha e a casa de banho com produtos não tóxicos, Elon para as visitas semanais regulares, Tony para a limpeza profunda dos recantos e das caixilhos das janelas. Estas são as fórmulas anunciadas pela Tau, não desempenhos medidos — e coincidem em parte com o que Koch descreve ele próprio como difícil. A mesma aparência para os três, apenas a cor do rosto muda: branco, violeta, verde. A empresa anuncia no seu site que, após algumas passagens, a configuração Elon sabe onde os objetos devem estar arrumados e coloca-os no seu lugar em vez de os empilhar. Esta é uma alegação comercial da Tau, que ninguém verificou de forma independente.
O verdadeiro preço é o vídeo da sua casa
O robô filma continuamente toda a visita, com câmeras colocadas na cabeça e nos pulsos, e estas gravações servem para treinar os modelos de IA da Tau. Isto não é opcional: a política de serviço, publicada em 27 de julho de 2026, indica-o a preto sobre branco e explica que é precisamente a razão do preço praticado. Nenhuma fórmula «câmeras desligadas» é proposta.
O resto é mais duro. Os vídeos gravados na casa do cliente entram no treino sem desfoque dos rostos, sob uma licença que a Tau qualifica de perpétua, mundial e gratuita, e que sobrevive ao encerramento da conta (Tech Times). A empresa reconhece ela própria: um modelo já treinado não pode ser «des-treinado» — não se pode fazer com que esqueça o que aprendeu. Um pedido de supressão para os usos futuros, não apaga a influência das suas imagens nos parâmetros do modelo.
A India Today salienta, aliás, que a Tau não explica como funciona concretamente este controlo partilhado entre o humano e a IA, nem quais as garantias de privacidade em vigor. O meio de comunicação compara o dispositivo ao NEO da 1X Technologies, que permite, ele, definir zonas proibidas ao operador humano e desfocar os rostos nas imagens vistas pelo robô.
Nem 25 euros, nem 3 000 rupias
Dois números circulam, nenhum dos dois existe. Os «25 euros por hora» são uma conversão feita pelo jornal espanhol La Razón: nem a tarifa nem a empresa são espanholas. O serviço indiano a «3 000 rupias» também não existe. O artigo da India Today de 29 de julho de 2026 descreve o serviço americano da Tau Robotics, e a sua redação converteu os 30 dólares em «roughly Rs 3,000». O serviço continua limitado a San Francisco e não é proposto na Índia.
E o corpo, de onde vem?
Sob as câmeras, um Unitree G1, humanoide chinês de cerca de 1,3 metro para 35 quilogramas, cujo preço base ronda os 13 500 dólares americanos segundo a Tech Times, a nossa única fonte sobre este número. A Tau acrescenta as suas próprias câmeras, pinças e computadores embarcados. Detalhe irónico: o serviço foi lançado no mesmo dia em que a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) proibia nos Estados Unidos novas autorizações de equipamento para aparelhos robóticos avançados de fabrico estrangeiro — robôs móveis, humanoides e quadrúpedes. Uma medida que não coloca em causa os exemplares já homologados. E se a vontade lhe der de comprar a máquina em vez da hora de limpeza, dedicámos um artigo a quanto custa um humanoide comprado e entregue em França.
Isto chega até nós?
Nada o anuncia. O serviço não ultrapassa San Francisco, nenhum calendário de extensão é publicado, e mesmo no local é preciso um convite e um adulto em casa. A máquina existe, passa realmente o aspirador, mas não é autónoma: é controlada conjuntamente por um operador humano e uma IA. Uma câmera roda do início ao fim, e o que compra a 30 dólares por hora, paga também em imagens da sua casa.
