Diante do ecrã da loja francesa da Joybuy, três silhuetas metálicas olham-no fixamente. O R1 Air e o R1 estão a menos de 6 000 euros. O G1, mais imponente, custa cerca de 18 000 euros (LaboMaison). É o preço de um sofá em L, ou de duas boas férias. Mas não é um móvel. É uma máquina que se move.

O sonho: um acrobata por menos de 6 000 €

O R1 mede cerca de 1,23 metro de altura. Pesa 29 kg (LaboMaison). Não é um colosso, mas uma presença. Dispõe de 26 articulações. Só que esse não é o essencial. O essencial é o movimento. O R1 e o R1 Air são robots de locomoção. Andam. Saltam. Realizam cambalhotas (LaboMaison).

Imagine a cena. Volta do trabalho. O R1 está lá. Não está à espera. Salta. Uma cambalhota para trás, fluida, precisa. O seu filho, se tiver um, fica imóvel. O robot não cai. Aterrisa. Está estável. Por menos de 6 000 euros, tem um acrobata na sua sala de estar. O R1 Air, por sua vez, pesa 27 kg e possui 20 articulações, mas partilha essa capacidade de desafiar a gravidade (LaboMaison). É o sonho tecnológico tornado acessível. A barreira de entrada caiu. Pode tocá-lo, quase.

O medo: punhos de pedra e uma hora de vida

Mas o sonho esbarra na realidade física. O R1 tem punhos fixos (LaboMaison). Sem dedos. Sem palma. Apenas blocos rígidos. Não consegue agarrar. Não consegue oferecer-lhe uma chávena de café. Não consegue apanhar o brinquedo que está no chão. Não consegue abrir uma porta. Salta, sim. Mas não manipula nada. É um dançarino sem mãos.

E depois, há o tempo. A autonomia anunciada dos R1 e R1 Air é de cerca de uma hora (LaboMaison). Uma hora. É o tempo de um episódio de série. Durante esse tempo, está inerte. Um bloco de 29 kg que apenas serve para decorar a sua sala. Sem essas mãos, o G1 continua a ser um espectador. Com elas, torna-se um ator.

O R1 Air, mais leve, não muda o jogo. Tem menos articulações. Mas tem o mesmo problema de fundo. Não agarra. Não programa. Executa. E para quando a bateria está vazia. É um convidado que fica apenas o tempo de um café. E ainda assim, não consegue segurá-lo.

A questão: quem programa a sua sala de estar?

O mais inquietante não é o preço. É o silêncio do software. Não existe nenhum SDK ou API disponível para os modelos clássicos destes robots (LaboMaison). Sem acesso livre aos sensores. Sem personalização. Não pode dizer ao R1: «Quando eu digo "olá", salta». Não pode pedir-lhe para evitar o gato. Não pode ensiná-lo a apanhar o comando. É fechado. É um produto acabado, congelado no seu código.

Quem decide o que ele faz? A empresa. Quem decide o que ele vê? A empresa. Quem decide o que ele salta? A empresa. Compra um corpo, mas não o espírito. Compra a locomoção, mas não a inteligência adaptativa. É como comprar um carro sem volante, sem painel de instrumentos, sem GPS. Ele corre. Salta. Mas não sabe para onde vai. E não pode reprogramá-lo para que evite o cão do vizinho.

O G1 é indicado como disponível, enquanto os R1 estão em pré-encomenda com entrega prevista a partir de 1 de outubro (LaboMaison). O tempo urge. Ou melhor, o tempo passa. Elas saltarão. Recarregar-se-ão. Permanecerão ali, silenciosas, fixas, inúteis para tudo o que importa na vida quotidiana. O sonho de um companheiro inteligente desmorona diante da realidade de um brinquedo motorizado.

E se amanhã saísse um SDK? E se as mãos se tornassem padrão? E se a autonomia duplicasse? O preço continuaria a ser o mesmo? O R1, por menos de 6 000 euros, é uma porta entreaberta. Mas atrás, não há um amigo. A questão já não é «ele pode entrar em sua casa?». A questão é: «o que é que ele está ali a fazer?»