No EHPAD do Don, em Issé (Loire-Atlantique), doze residentes instalaram-se na sala de animação em torno de uma máquina que as faz cantar. Não é um robô humanoide : é um quiosque digital tátil baptizado Mélo, ligado a um ecrã grande, concebido pela empresa francesa Onze Plus. Propõe até 3 000 faixas, além de jogos e atividades. E não decide nada : neste modelo de quiosque, são os residentes, as famílias ou os cuidadores que escolhem as faixas com o dedo, e um animador que organiza a oficina. O preço ? Só conhecemos um, e diz respeito a outra instituição — em Châteauroux, não em Issé : 5 872 euros, integralmente suportados por uma fundação.
Um quiosque, não um robô
A palavra « robô » cola-se a tudo o que tem ecrã e faz barulho numa casa de repouso. Aqui, não se aplica. O Mélo é um aparelho móvel, equipado com um ecrã tátil, ligado a um ecrã grande na sala de animação. Um ecrã que se desloca, e em torno do qual nos sentamos. Os verdadeiros humanoides, por seu lado, pertencem a outra categoria de objetos e a outro assunto : quanto custa realmente um humanoide entregue em França.
A sessão de Issé, relatada pelo Ouest-France, resume-se aliás a uma imagem muito simples : doze residentes, uma sala, canções. Tecnicamente, não há muito para escrever um romance. Na sala, sim.
O que é que ela sabe fazer ?
Música, em primeiro lugar. Até 3 000 faixas no catálogo, das quais os residentes escolhem por si próprios o que querem ouvir — não uma lista de reprodução decidida noutro lugar. Jogos, em seguida. E atividades, em torno das quais a equipa constrói as suas oficinas.
Pouco, dito assim. É também exatamente o que se espera de um objeto colocado no meio de um grupo : dar um pretexto para se reunirem. E deixar a iniciativa àqueles que estão na sala.
Quem escolha a canção ?
Seja dito claramente : o Mélo não tem qualquer autonomia decisória — a máquina não decide nada sozinha. As faixas são selecionadas no ecrã tátil pelos residentes, pelas famílias ou pelo pessoal de enfermagem, relata ici.fr. E é um animador — um humano, presente na sala — que organiza as oficinas em torno do quiosque.
Isso altera completamente a leitura da história. Não se trata de uma máquina que substituiria alguém, mas de uma ferramenta que precisa de alguém para existir. Um quiosque sem animador, numa sala de animação, é um ecrã apagado.
Quanto custa ?
É frequentemente a primeira questão que nos colocamos, e temos uma resposta precisa : um quiosque Mélo custou 5 872 euros ao EHPAD La Pléiade de Châteauroux, valor integralmente suportado pela Fundação Isabelle Camenen.
Duas precauções com este valor. Diz respeito a uma instituição e a uma encomenda, não sendo uma tarifa pública anunciada. E foi relatado por um único meio de comunicação, em janeiro de 2024 : tem a idade que tem.
O mais instrutivo é talvez a segunda metade da frase. O quiosque não foi pago com o orçamento corrente da casa de repouso, mas por uma fundação. É o caso em todo o lado? Sobre este ponto, só temos um exemplo, e um exemplo não faz regra.
E se um familiar estiver num EHPAD ?
É o tipo de equipamento de que se ouve falar numa visita, ou num artigo de imprensa local, sem nunca saber o que está por detrás. Quatro perguntas bastam para esclarecer a situação :
- Robô ou quiosque ? As duas palavras não cobrem a mesma realidade : aqui, trata-se de um aparelho móvel com ecrã tátil, não de um humanoide.
- Quem escolhe o que toca ? O próprio residente, a família, o cuidador — ou ninguém, e o aparelho funciona como som ambiente.
- Há alguém para animar ? Sem animador, o quiosque mais bonito do mundo acaba num corredor.
- Quem pagou ? A instituição, uma fundação, uma associação de famílias. A resposta diz muito sobre a forma como estes equipamentos chegam.
Trata-se sobretudo de separar o que uma máquina faz do que lhe atribuem. Em Issé, naquele dia, o que fez doze pessoas cantar foi um catálogo de canções, um ecrã grande, e alguém para prima na faixa correta.
